Fotografia do associado Eduardo Anizelli sobre a tragédia das chuvas em Juiz de Fora é eleita a Imagem do Mês de fevereiro
A imagem do mês de fevereiro eleita pela ARFOC-SP é do associado Eduardo Anizelli, repórter fotográfico da Folha de S.Paulo, atualmente baseado no Rio de Janeiro. Ele acompanhou o resgate e vivenciou a rotina de quem perdeu tudo em Juiz de Fora, Minas Gerais. A cidade entrou em estado de calamidade pública e decretou luto oficial depois do temporal que provocou deslizamentos e desmoronamentos, deixando mortos, desaparecidos e muitos desabrigados.
Para Anizelli fazer essa foto foi uma escolha difícil: “eu passei o dia inteiro de plantão no mesmo lugar e isso me corroeu por um bom tempo, mas me posicionei em uma laje e fiquei aguardando. Quando conseguiram resgatar o corpo, foi bem impactante. Esse tipo de ação sempre gera uma expectativa grande e muita emoção. Na hora que estou fotografando, é tanta concentração que entro em uma realidade paralela, e a câmera vira um escudo. Procuro separar a emoção mas é difícil não sentir ! Estive em Brumadinho, Petrópolis, cada cidade com suas histórias e características ambientais distintas. Há quem ache que com o tempo nos habituamos a isso, só que não !”
Esse tipo de cobertura exige do fotógrafo, além do profissionalismo, resistência física e controle emocional. Desastres naturais têm ocorrido com maior frequência e intensidade em razão das mudanças climáticas — isso é fato. Tragédias se repetem em diferentes regiões, algumas anunciadas, deixando cidades devastadas.
Para o profissional, além da dimensão da tragédia outro aspecto difícil de lidar é com a revolta da população, que pode ser bem agressiva e muitas vezes acaba sobrando para a imprensa: “perder a casa, entes queridos ou amigos deixam as pessoas muito revoltadas, e com razão, mas é um dos desafios que temos que driblar nessas situações. Na verdade, a imprensa está ali pra mostrar para o mundo o que aconteceu e, de alguma forma, pressionar o poder público.”



