
Desde 1970, Juca Martins fotografa o Brasil e o mundo com a precisão de quem conhece o chão que pisa e a coragem de quem não desvia o olhar. Suas imagens atravessaram jornais, revistas e livros no país e no exterior, registrando conflitos, desigualdades, infâncias feridas, cidades em transformação e momentos decisivos da história recente. Seu trabalho nunca foi neutro: sempre foi comprometido com a verdade, com os direitos humanos e com o tempo em que foi produzido.
Juca Martins, olha de frente para a realidade, mesmo quando ela é dura, complexa ou incômoda. Ao longo de décadas, sua obra ocupou paredes e consciências em exposições no Brasil, Espanha, Itália, França, Alemanha, Suíça, México, Cuba, Colômbia e Equador. No país, destacou-se em mostras individuais emblemáticas como Testemunha Ocular (Casa da Imagem, 2013) e Serra Pelada (Galeria Utópica, 2019), que reafirmam a potência narrativa e histórica de seu olhar. Suas fotografias integram acervos que ajudam a contar a história visual do mundo: o MASP, a Casa da Imagem / Museu da Cidade de São Paulo, a Biblioteca Pública de Nova Iorque e o Museu Kunsthaus de Zurique, além do Instituto Moreira Salles, onde a fotografia brasileira encontra abrigo, estudo e permanência. Estar nesses acervos não é apenas reconhecimento estético, é confirmação de relevância histórica.
Vencedor do Prêmio Esso de Fotografia, ganhou duas o Prêmio Internacional Nikon e foi laureado com o Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos por sua reportagem sobre a guerra em El Salvador. Juca Martins construiu uma carreira em que ética e excelência caminham juntas.
Em 1993, teve sua obra registrada no vídeo Encontro com o Artista, produzido pelo Instituto Itaú Cultural, ampliando o diálogo entre fotografia, reflexão e memória. Autor de livros que são documentos históricos e poéticos ao mesmo tempo, editor, formador, articulador de coletivos e pensador do fotojornalismo, Juca Martins segue ativo, generoso e necessário.
Homenagear Juca Martins é reconhecer um repórter fotográfico que comunga com o seu tempo. É afirmar que o fotojornalismo brasileiro tem lastro, memória, e mestres que transformaram a câmera em instrumento de consciência coletiva.
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